sábado, 17 de maio de 2014



A BENÇÃO DAS LÁGRIMAS

Bendita a lágrima em que se cristaliza
o acervo atroz de nossas dores
e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
      
Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas...

Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram
a desgraça de viverem sem pão.

Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa.
Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente
dos que são tristes.

Bendita a lágrima dos que põem sobre os ombros a cruz
de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.

Bendita a lágrima dos que buscam, errantes, o calor de um afeto e somente encontram o frio do desprezo.

Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem
e só colhem ingratidões
pelo bem que semeiam.

Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte o coração num sacrário de Amor.

Bendita a lágrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.

Bendita, enfim, a lágrima, gota de luz
das auroras celestes e síntese terrena
do orvalho divino.

(Rubens C. Romanelli)

domingo, 1 de julho de 2012

Agradeço por Dina Isserlin


"Agradeço...
As dores do meu coração
As lágrimas caídas
A saudade que sangra e alaga
As imagens gravadas na mente...
Uma alma que tudo sente...
Agradeço...
As horas perdidas de sono
Os sonhos da madrugada
O silêncio que machuca
A companhia da solidão
Ter tirado meus pés do chão...
Agradeço...
As derrotas...Todos os sucessos
Todos os caminhos...Estradas
Todas as idas...Voltas e regressos
Toda procura...O que foi achado
E aquilo que não foi encontrado...
Agradeço...
Pelo beijo dado...Tão esperado
Por gotas de felicidade
Por minhas pegadas na areia
Pelas dúvidas e as verdades
Pelas noites com lua cheia...
Agradeço...
O azul do mar...Tanto aconchego
As tempestades cinzas...Frias
As ventanias que traziam música
O tempo de calmaria...Sem tormenta
O sol que queima ...Tudo Esquenta
Agradeço...
O voo do beija-flor
A rosa que se abre a noite
O dia que reina perfeito
O entardecer cheio de cor
A noite que encanta...Quando deito
Agradeço...
Todas as histórias com final feliz
A história que não terminou
Ao tempo que magoou...Mas ensinou
As decisões tomadas... Erradas ou não
A um coração cheio de paixão...
Agradeço...
A melodia que me fez chorar
A música que me faz dançar
Versos que me viraram do avesso
Fazendo a noite em dia brilhar
Agradeço...
A vida que me foi dada...
Um presente a cada dia...
Tudo foi verdadeiro
Melhor eu não faria...
E é assim desse jeitinho sim...
Que me fiz aos poucos...Poesia"
(Dina Isserlin)

sábado, 5 de maio de 2012

MEUS 8 ANOS


CASIMIRO DE ABREU

Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias 
Do despontar da existência! 
- Respira a alma inocência 
Como perfumes a flor; 
O mar - é lago sereno, 
O céu - um manto azulado, 
O mundo - um sonho dourado, 
A vida - um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida, 
Que noites de melodia 
Naquela doce alegria, 
Naquele ingênuo folgar! 
O céu bordado d'estrelas, 
A terra de aromas cheia 
As ondas beijando a areia 
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância! 
Oh! meu céu de primavera! 
Que doce a vida não era 
Nessa risonha manhã! 
Em vez das mágoas de agora, 
Eu tinha nessas delícias 
De minha mãe as carícias 
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas, 
Eu ia bem satisfeito
Da camisa aberta o peito, 
- Pés descalços, braços nus - 
Correndo pelas campinas 
A roda das cachoeiras, 
Atrás das asas ligeiras 
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos 
Ia colher as pitangas, 
Trepava a tirar as mangas, 
Brincava à beira do mar; 
Rezava às Ave-Marias, 
Achava o céu sempre lindo. 
Adormecia sorrindo 
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais! 
- Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
A sombra das bananeiras 
Debaixo dos laranjais!

terça-feira, 24 de abril de 2012


PACIÊNCIA
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para...

A vida não para...
LENINI

Lenine - Letras

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quando me tratas mau e, desprezado, 
Sinto que o meu valor vês com desdém, 
Lutando contra mim, fico a teu lado 
E, inda perjuro, provo que és um bem. 
Conhecendo melhor meus próprios erros, 
A te apoiar te ponho a par da história 
De ocultas faltas, onde estou enfermo; 
Então, ao me perder, tens toda a glória. 
Mas lucro também tiro desse ofício: 
Curvando sobre ti amor tamanho, 
Mal que me faço me traz benefício, 
Pois o que ganhas duas vezes ganho. 
Assim é o meu amor e a ti o reporto: 
Por ti todas as culpas eu suporto.
==
William Shakespeare

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

QUANDO


André Luiz
Quando compreendermos que vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são doenças claramente ajustáveis à patologia da mente, requisitando amor e não o revide...
Quando interpretarmos nossos irmãos delinqüentes por enfermos da alma, solicitando segregação para tratamento e reeducação e não censura ou castigo...
Quando observarmos na caridade simples dever...
Quando nos aceitarmos na condição de espíritos em evolução, ainda portadores de múltiplas deficiências e que, por isso mesmo, o erro do próximo poderia ser debitado á conta de nossas próprias fraquezas...
Quando percebermos que os nossos problemas e as nossas dores não são maiores que os de nossos vizinhos...
Quando nos certificarmos de que a fogueira do mal deve ser extinta na fonte permanente do bem...
Quando nos capacitarmos de que a prática incessante do serviço aos outros é o dissolvente infalível de todas as nossas mágoas...
Quando nos submetermos à lei do trabalho, dando de nós sem pensar em nós, no que tange a facilidades imediatas...
Quando abraçarmos a tarefa da paz, buscando apagar o incêndio da irritação ou da cólera com a bênção do socorro fraternal e abstendo-nos de usar o querosene da discórdia...
Quando, enfim, nos enlaçarmos, na experiência comum, na posição de filhos de Deus e irmãos autênticos uns dos outros, esquecendo as nossas faltas recíprocas e cooperando na oficina do auxílio mútuo, sem reclamações e sem queixas, a reconhecer que o mais forte é o apoio do mais fraco e que o mais culto é o amparo do companheiro menos culto, então, o egoísmo terá desaparecido da Terra, para que o Reino do Amor se estabeleça definitivo, em nossos corações.
Do livro Paz e renovação. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

domingo, 25 de setembro de 2011

Somewhere over the Rainbow

Em algum lugar além do arco-íris,

Bem lá no alto

E os sonhos que você sonhou

Uma vez em um conto de ninar


Em algum lugar além do arco-íris,

Pássaros azuis voam

E os sonhos que você sonhou

Sonhos realmente se tornam realidade


Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela

E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim

Onde problemas derretem como balas de limão

Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam

E o sonho que você desafiar, porque então, oh porquê eu não posso?


Bom, eu vejo árvores verdes e

Rosas vermelhas também

Eu vou assisti-las florescer pra mim e pra você

E eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


Bem, eu vejo os céus azuis e as nuvens brancas

E o brilho do dia

Eu gosto do escuro e eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


As cores do arco-íris tão bonitas no céu

Também estão no rosto das pessoas que passam

Eu vejo amigos apertando as mãos

Dizendo, "como vai você?"

Eles estão realmente dizendo, "eu... eu amo você!"


Eu ouço bebês chorando e eu os vejo crescer

Eles vão aprender muito mais do que

Nós saberemos

E eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela

E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim

Onde problemas derretem como balas de limão

Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto

E o sonho que você desafiar, porque, oh porquê eu não posso?