quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quando me tratas mau e, desprezado, 
Sinto que o meu valor vês com desdém, 
Lutando contra mim, fico a teu lado 
E, inda perjuro, provo que és um bem. 
Conhecendo melhor meus próprios erros, 
A te apoiar te ponho a par da história 
De ocultas faltas, onde estou enfermo; 
Então, ao me perder, tens toda a glória. 
Mas lucro também tiro desse ofício: 
Curvando sobre ti amor tamanho, 
Mal que me faço me traz benefício, 
Pois o que ganhas duas vezes ganho. 
Assim é o meu amor e a ti o reporto: 
Por ti todas as culpas eu suporto.
==
William Shakespeare

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

QUANDO


André Luiz
Quando compreendermos que vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são doenças claramente ajustáveis à patologia da mente, requisitando amor e não o revide...
Quando interpretarmos nossos irmãos delinqüentes por enfermos da alma, solicitando segregação para tratamento e reeducação e não censura ou castigo...
Quando observarmos na caridade simples dever...
Quando nos aceitarmos na condição de espíritos em evolução, ainda portadores de múltiplas deficiências e que, por isso mesmo, o erro do próximo poderia ser debitado á conta de nossas próprias fraquezas...
Quando percebermos que os nossos problemas e as nossas dores não são maiores que os de nossos vizinhos...
Quando nos certificarmos de que a fogueira do mal deve ser extinta na fonte permanente do bem...
Quando nos capacitarmos de que a prática incessante do serviço aos outros é o dissolvente infalível de todas as nossas mágoas...
Quando nos submetermos à lei do trabalho, dando de nós sem pensar em nós, no que tange a facilidades imediatas...
Quando abraçarmos a tarefa da paz, buscando apagar o incêndio da irritação ou da cólera com a bênção do socorro fraternal e abstendo-nos de usar o querosene da discórdia...
Quando, enfim, nos enlaçarmos, na experiência comum, na posição de filhos de Deus e irmãos autênticos uns dos outros, esquecendo as nossas faltas recíprocas e cooperando na oficina do auxílio mútuo, sem reclamações e sem queixas, a reconhecer que o mais forte é o apoio do mais fraco e que o mais culto é o amparo do companheiro menos culto, então, o egoísmo terá desaparecido da Terra, para que o Reino do Amor se estabeleça definitivo, em nossos corações.
Do livro Paz e renovação. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

domingo, 25 de setembro de 2011

Somewhere over the Rainbow

Em algum lugar além do arco-íris,

Bem lá no alto

E os sonhos que você sonhou

Uma vez em um conto de ninar


Em algum lugar além do arco-íris,

Pássaros azuis voam

E os sonhos que você sonhou

Sonhos realmente se tornam realidade


Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela

E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim

Onde problemas derretem como balas de limão

Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam

E o sonho que você desafiar, porque então, oh porquê eu não posso?


Bom, eu vejo árvores verdes e

Rosas vermelhas também

Eu vou assisti-las florescer pra mim e pra você

E eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


Bem, eu vejo os céus azuis e as nuvens brancas

E o brilho do dia

Eu gosto do escuro e eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


As cores do arco-íris tão bonitas no céu

Também estão no rosto das pessoas que passam

Eu vejo amigos apertando as mãos

Dizendo, "como vai você?"

Eles estão realmente dizendo, "eu... eu amo você!"


Eu ouço bebês chorando e eu os vejo crescer

Eles vão aprender muito mais do que

Nós saberemos

E eu penso comigo

Que mundo maravilhoso


Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela

E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim

Onde problemas derretem como balas de limão

Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto

E o sonho que você desafiar, porque, oh porquê eu não posso?

domingo, 7 de agosto de 2011

Saudades da infância de Casimiro de Abreu


Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)


domingo, 31 de julho de 2011

TERNURA


Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Vinícius de Moraes

domingo, 24 de julho de 2011

RESENHA

Resenha:




O homem moderno, pesquisador da estratosfera e do subsolo, esbarra, ante os pórticos do sepulcro, com a mesma aflição dos egípcios, dos gregos e dos romanos de épocas recuadas. Os séculos que var­reram civilizações e refundiram povos, não trans­formaram a misteriosa fisionomia da sepultura. Milenário ponto de interrogação, a morte continua ferindo sentimentos e torturando inteligências.
       Em todas as escolas religiosas, a Teologia, re­presentando as diretrizes de patriarcas veneráveis da fé, procura controlar o campo emotivo dos cren­tes, acomodando os interesses imediatistas da alma encarnada. Para Isso, criou regiões definidas, ten­tando padronizar as determinações de Deus pelos decretos dos reis medievais, lavrados à base de audaciosa Ingenuidade.
       Indubitavelmente, províncias de angústia puni­tiva e dor reparadora existem nas mais variadas dimensões do Universo, assim como vibram cons­ciências escuras e terríveis nos múltiplos estados sociais; no entanto, o serviço teológico, nesse sen­tido, não obstante respeitável, atento ao dogmatismo tradicional e aos Interesses do sacerdócio, estabelece o “non plus ultra”, que não atende às exigências do cérebro, nem aos anseios do coração.
       Como transferir imediatamente para o Inferno a mísera criatura que se emaranhou no mal por simples Influência da Ignorância? que se dará, em nome da Sabedoria Divina, ao homem primitivo, sedento de dominação e de caça? A maldição ou o alfabeto? Por que processo conduzir ao abismo tene­broso o espírito menos feliz, que apenas obteve contacto com a verdade, no justo momento de abandonar o corpo? Dentro das mesmas razões, como promover ao céu, em caráter definitivo, o dis­cípulo do bem, que apenas se iniciou na prática da virtude? que gênero de tarefa caracterizará o mo­vimento das almas redimidas, na Corte Celestial? formar-se-iam apóstolos tão só para a aposentado­ria compulsória? como haver-se, no paraíso, o pai carinhoso cujos filhos fôssem entregues a Satã? Que alegria se reservará a esposa dedicada e fiel, que tem o esposo nas chamas consumidoras? Estaria a Autoridade Divina, perfeita e ilimitada, tão pobre de recursos, a ponto de Impedir, além do plano car­nal, o benefício da cooperação legítima, que as auto­ridades falíveis e deficientes do mundo incentivam e protegem? negar-se-iam possibilidades de evolu­ção aos que atravessam a porta do sepulcro, em plena vida maior, quando na esfera terrestre, sob limitações de vária ordem, há caminhos evolutivos para todas as formas e todos os seres? a palavra
“trabalho” seria desconhecida nos céus, quando a Natureza terrena reparte missões claras de serviço, com todas as criaturas da Crosta Planetária, desde o verme até o homem? como justificar um inferno onde as almas gemessem distantes de qualquer espe­rança, quando, entre os homens imperfeitos, ao in­fluxo renovador do Evangelho de Jesus-Cristo, as penitenciárias são hoje grandes escolas de regene­ração e cura psíquica? e por que meios admitir um céu, onde o egoísmo recebesse consagração absolu­ta, no gozo infinito dos contemplados pela graça, sem nenhuma compaixão pelos deserdados do fa­vor, que caíram, ingênuos, nas armadilhas do sofri­mento, se, entre as mais remotas coletividades de obscuras, zonas carnais, se arregimentam legiões de assistência fraterna amparando ignorante. e infelizes?
São interrogações oportunas para os teólogos sinceros da atualidade. Não, contudo, para os que tentam conjugar esforços na solução do grande e indevassado problema da Humanidade
O Espiritismo começou o inapreciável traba­lho de positivar a continuação da vida além da morte, fenômeno natural do caminho de ascensão. Esferas múltiplas de atividade espiritual interpene­trem-se nos diversos setores da existência. A morte não extingue a colaboração amiga, o amparo mútuo, a intercessão confortadora, o serviço evolutivo. As dimensões vibratórias do Universo são infinitas, como infinitos são os mundos que povoam a Imen­sidade.
Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte.
A vida renova, purifica e eleva os quadros múltiplos de seus servidores, conduzindo-os, vitoriosa e bela, à União Suprema com a Divindade.
Apresentando o novo trabalho, em que André Luis comparece rasgando véus, lembramo-nos de que Allan Kardec, o inesquecível codificador, refe­re-se várias vezes em sua obra à erraticidade, onde estaciona considerável número de criaturas humanas desencarnadas. Acresce notar, todavia, que transferir-se alguém da esfera carnal para a erraticidade -não significa ausentar-se da iniciativa
ou da responsabilidade, nem vaguear em turbilhão aéreo, sem diretivas essenciais. No mesmo critério, observaríamos os que renascem no plano denso como pessoas transferidas da vida espiritual à materialidade, não simbolizando semelhante figura qualquer imersão inconsciente e estúpida nas cor­rentes carnais. Como acontece aos que chegam à Crosta da Terra, os que saem dela encontram igual­mente sociedades e instituições, templos e lares, onde o progresso continua para o Alto.
       No limiar deste livro, portanto, cumpre-nos declarar que André Luis procurou fornecer algumas notícias das zonas de erraticidade que envolvem a crosta do mundo, em todas as direções, comentando os quadros emocionais que se transportam do am­biente obscuro para as esferas imediatas às cogi­tações e paixões humanas; mais uma vez, esclarece que a morte é campo de seqüência, sem ser fonte milagreira, que aqui ou além o homem é fruto de si mesmo, e que as leis divinas são eternas organi­zações de justiça e ordem, equilíbrio e evolução.
Naturalmente, a estranheza visitará os compa­nheiros menos avisados e o sorriso irônico surgirá, sem dúvida, na boca, quase sempre brilhante, dos impenitentes incorrigíveis. Não importa, porém. Je­sus, que é o Cristo de Deus, recebeu manifestações de sarcasmo da ignorância e da leviandade... Por que motivo, nós outros, simples cooperadores de “outro mundo”, teríamos de ser intangíveis?
Prossigamos, pois, no serviço da verdade e do bem, cheios de otimismo e bom ânimo, a caminho de Jesus, com Jesus.

Pedro Leopoldo, 25 de março de 1946.

                                                                       EMMANUEL

terça-feira, 12 de julho de 2011

by Dina Isserlin


Se não houvesse mais luz
Ainda assim veria o brilho...
Se não houvesse mais sorrisos
Ainda assim escutaria o gozo...
Se não houvesse mais palavras
...Ainda assim entenderia o silêncio...
Se não houvesse mais carinho
Ainda assim o sentiria em mim...
Se não houvesse mais caminho
Ainda assim continuaria...sim
Se não houvesse mais nada
E só restasse a saudade...
Ainda assim conseguiria perceber...Voce"
(Dina Isserlin)

terça-feira, 28 de junho de 2011

SONHAR É PRECISO

 Sonhar é sair pela janela da liberdade,
é vaguear pelos caminhos
proibidos ou não.
É, sem ter um rumo qualquer,
ter um alvo a perseguir:
a felicidade.

Sonhar é não limitar-se a limites
sejam eles quais forem,
impostos ou não.
É fazer do impossível o possível
quando e como quiser o coração.

Sonhar é viver o passado no futuro
e o futuro no presente.
É ter o se quer
e afastar o que não se deseja.
É despertar dentro de si
aquele ser criança.
É almejar a vida...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Deixe aflorar toda a sua doçura!

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!
 

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: você está me machucando... pode parar, por favor!. Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto...
Que consigamos docemente viver... sentir, amar... apesar de todo o risco que isso possa significar...

(Rosana Braga)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Som do Silêncio

Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar contigo novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece
Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a auréola de uma lamparina de rua
Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam
Ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio

"Tolos," eu disse, "vocês não sabem"
O silêncio como um câncer que cresce
Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender"
Mas minhas palavras
Como silenciosas gotas de chuva caíram
E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram
Ao Deus de néon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso
Nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse, "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô
E corredores de habitações"
E sussurraram no som do silêncio

Divaldo e de Tagore!!!! :
 
 
“Procurei-te desarvorado e triste pelas terras distantes.. em loucas aventuras com os outros, sem conseguir encontrar-te. Aonde chegava a minha ansiedade... deparava-me com as marcas de teus pés no chão. Penetrei-me pelas lâminas da angústia... dilacerando todas as minhas ambições, em vãs tentativas de te encontrar. Exauri-me... sem resultado feliz... e detive-me vencido. Defrontei-me um dia... duas estrelas que se apagavam nos olhos de uma criança abandonada... e amei-a. A sua voz sem palavras e a música de sua necessidade... fizeram-me encontrar os três: o próximo, a mim e a ti, ó Soberano Senhor da minha vida. Não cesses de cantar... ó brisa ligeira que passeias pelo vale... nem interrompas o teu curso... ó água transparente do regato. Toda musicalidade que embala a natureza ...faz-se partitura para que o cantor destrave a sua voz de sua garganta e inunde o mundo de harmonias”.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS



Rubens C. Romanelli


Bendita a lágrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.
Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de espôsa.
Bendita a lágrima, desafôgo amigo dos que são sós e consôlo ardente dos que são tristes.
Bendita a lágrima dos que põem sôbre os ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lágrima dos que buscam, errantes, o calor de um afeto e sòmente encontram o frio do desprêzo.
Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte o coração num sacrário de Amor.
Bendita a lágrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lágrima, gôta de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.

terça-feira, 19 de abril de 2011

ERRE AUXILIANDO

André Luiz

Auxilie a todos para o bem.
Auxilie sem condições.
Ainda mesmo por despeito, auxilie sem descansar, na certeza de que, assim, muitas vezes, poderá você conquistar a cooperação dos próprios adversários.
Ainda mesmo por inveja, auxilie infatigavelmente, porque, desse modo, acabará você assimilando as qualidades nobres daqueles que respiram em Plano Superior.
Ainda mesmo por desfastio, auxilie espontaneamente aos que lhe cruzam a estrada, porque, dessa forma, livrar-se-á você dos pesadelos da hora inútil, surpreendendo, por fim, a bênção do trabalho e o templo da alegria.
Ainda mesmo por ostentação, auxilie a quem passa sob o jugo da necessidade e da dor, porque, nessa diretriz, atingirá você o grande entendimento, descobrindo as riquezas ocultas do amor e da humildade.
Ainda mesmo sob a pressão de grande constrangimento, auxilie sem repouso, porque, na tarefa do auxílio, receberá a colaboração natural dos outros, capaz de solve-lhe os problemas e extinguir-lhe as inibições.
Ainda mesmo sob o império da aversão, auxilie sempre, porque o serviço ao próximo dissolver-lhe-á todas as sombras, na generosa luz da compreensão e da simpatia.
Erre auxiliando.
Ainda mesmo nos espinheiros da mágoa ou da ilusão, auxilie sem reclamar o auxílio de outrem, servindo sem amargura e sem paga, porque os erros, filhos do sincero desejo de auxiliar, são também caminhos abençoados que, embora obscuros e pedregosos, nos conduzem o espírito às alegrias do Eterno Bem.
 LIVRO: APOSTILAS DA VIDA - PSICOGRAFIA CHICO XAVIER

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Huberto Rohden

Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei... 
O homem inteligente? 
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso? 
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso? 
Não basta qualquer forma de religião...
Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito... 
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes. 
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio... 
É poderoso - mas não ostenta poder... 
Socorre a todos - sem precipitação... 
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido... 
Domina - mas dem insolência... 
É humilde - mas sem servilismo... 
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer... 
Faz bem a todos - antes que se perceba... 
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu clamor nas ruas..." 
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém... 
Abre largos espaços - sem arrombar portas... 
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...
Assim é, e assim age o homem verdadeiramente bom - porque é instrumento nas mãos de Deus...
Desse Deus de infinita potência - e de supremo amor...
Desse Deus cuja força governa a imensidade do cosmos - e cuja preciência sabe das fraquezas do homem...
O grande homem é, mais do que ninguém, imagem e semelhança de Deus...


FONTE: site www.cuidardoser.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2011

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram... fantasia...
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...
(Cecília Meireles)

terça-feira, 1 de março de 2011

Luzes da Ribalta

LUZES DA RIBALTA

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Guardador de Rebanhos por Fernando Pessoa

Eu nunca guardei rebanhos,
mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
conhece o vento e o sol
e anda pela mão das Estações
a seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um por de sol
para a nossa imaginação,
quando esfria no fundo da planície
e se sente a noite entrada
como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
porque é natural e justa
e é o que deve estar na alma
quando já pensa que existe
e as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pérola do dia

Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro.
Ame como se você nunca tivesse sido magoado.
Dance como se ninguém estivesse observando.
O maior risco da vida é não fazer nada!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

IMAGINE by John Lennon

Imagine

Imagine não existir paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
você se juntará a nós
E o mundo será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Benção Druida

"Que o caminho seja brando a teus pés, o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face, as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja, que os Senhores te guardem nas palmas de Suas mãos."

Que seu fim de semana seja iluminado...Jacira

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TELA BY JACIRA MOREDO

"Tenho saudades de época que pintava no atelier da artista plastica e
gde mestra, Katia Matias.  Sorte de quem tem coisas maravilhosas para se lembrar..."Jacira

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Súplica (Florbela Espanca)

Súplica (Florbela Espanca)
Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente! ...
Vem para mim,amor...Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O som do silêncio (Rafael greyck)

É bom parar e olhar pra traz pra ver o que restou
A vida é feita pra se dar e você nem se quer se emprestou
Isso sem falar nos nossos corações partidos
A gente aprende de escutar e você tapa os seus ouvidos

Quando o som do silêncio te incomodar,
Você vai se lembrar de tudo e vai lamentar
Vai implorar pro tempo, mas ele nunca volta a traz
Sua lembrança vai rasgar seu peito toda vez que ouvir o som que o silêncio faz

Não adianta falar agora, não adianta ficar sozinho
Não adianta chorar na hora que a vida segue o seu caminho

DO LIVRO PARNASO DE ALEM TUMULO (CHICO XAVIER)

Dobram sinos afinados
Com mágoa e de desolação...
Porque não sabem que a morte
É a nossa libertação.

Toda a esperança da fé,
Que vive com a caridade,
É realizada num mundo
Da eterna felicidade.

Quem tem a flor da humanidade,
Medrando no coração,
Tem o jardim das virtudes
Da suprema perfeição.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mortos? Não         

Antero de Quental 

 

Nós não somos os mortos condenados
Aos sepulcros de treva e cinzas frias,
Tristes evocações das agonias,
Sob os dobres dos sinos de finados...

Não estamos nas lápides sombrias
Dos cemitérios ermos e isolados,
Somos somente amigos apartados
Pelo... espaço das horas fugidias.

Crede que a luta é a nossa eterna herança,
Com a qual marchamos plenos da esperança
Que une os mundos e os seres nos seus laços.

Depois da morte, a luz de um novo dia
Resplende, transbordante de harmonia
Pela serenidade dos espaços.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
POSSUA

Um coração que nunca endureça
Uma emoção que nunca pressione
Um toque nunca magoe
Um carinho que nunca envelheça
Uma doçura que não estacione
Um coração que,por vezes,perdoe
Uma paixão que não enfraqueça
Um prazer que nunca relaxe
Um silencio que nunca destoe
Uma verdade que nunca encareça
Um medo que não ameace
Uma tristeza que não amontoe
Uma amargura que não amanheça
Uma alegria que nunca entristeça
Uma fantasia que não voe
Uma felicidade que não empobreça
Um desejo que nunca se apague
E um amor que te abençoe...
(Blandinne)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MORTE (Chico Xavier)

Silenciosa madona da tristeza,
a morte abriu-me as catedrais radiosas,
onde param as formas vaporosas.
Do país ignorado da Beleza.

Num dilúvio de lírios e de rosas,
filhos da luz de uma outra Natureza,
que entornavam no espaço a sutileza
dos incensos das naves harmoniosas!

Monja de olhar piedoso,calmo e austero.
Que traz à Terra um tênue reverbero
da mansão das estrelas erradias...

Irmã da paz e da serenidade,
que abriu meus olhos na imortalidade,
à esperança de todos os meus dias!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Do livro Parnaso de alem tumulo de Chico Xavier

Dobram sinos afinados
Com mágoa e de desolação...
Porque não sabem que a morte
É a nossa libertação.

Toda a esperança da fé,
Que vive com a caridade,
É realizada num mundo
Da eterna felicidade.

Quem tem a flor da humanidade,
Medrando no coração,
Tem o jardim das virtudes
Da suprema perfeição.


Casimiro Cunha
Nós seres humanos, estamos na
natureza para auxiliar o progresso
dos animais, na mesma proporção
que os anjos estão para nos auxiliar.
Portanto quem chuta ou maltrata um
animal é alguém que não aprendeu a
amar"
Chico Xavier

domingo, 23 de janeiro de 2011

 Hoje estou aqui começando meu novo blog, onde escreverei filosofias da vida e postarei imagens e fatos interessantes.