quarta-feira, 20 de abril de 2011

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS



Rubens C. Romanelli


Bendita a lágrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.
Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de espôsa.
Bendita a lágrima, desafôgo amigo dos que são sós e consôlo ardente dos que são tristes.
Bendita a lágrima dos que põem sôbre os ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lágrima dos que buscam, errantes, o calor de um afeto e sòmente encontram o frio do desprêzo.
Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte o coração num sacrário de Amor.
Bendita a lágrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lágrima, gôta de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.

terça-feira, 19 de abril de 2011

ERRE AUXILIANDO

André Luiz

Auxilie a todos para o bem.
Auxilie sem condições.
Ainda mesmo por despeito, auxilie sem descansar, na certeza de que, assim, muitas vezes, poderá você conquistar a cooperação dos próprios adversários.
Ainda mesmo por inveja, auxilie infatigavelmente, porque, desse modo, acabará você assimilando as qualidades nobres daqueles que respiram em Plano Superior.
Ainda mesmo por desfastio, auxilie espontaneamente aos que lhe cruzam a estrada, porque, dessa forma, livrar-se-á você dos pesadelos da hora inútil, surpreendendo, por fim, a bênção do trabalho e o templo da alegria.
Ainda mesmo por ostentação, auxilie a quem passa sob o jugo da necessidade e da dor, porque, nessa diretriz, atingirá você o grande entendimento, descobrindo as riquezas ocultas do amor e da humildade.
Ainda mesmo sob a pressão de grande constrangimento, auxilie sem repouso, porque, na tarefa do auxílio, receberá a colaboração natural dos outros, capaz de solve-lhe os problemas e extinguir-lhe as inibições.
Ainda mesmo sob o império da aversão, auxilie sempre, porque o serviço ao próximo dissolver-lhe-á todas as sombras, na generosa luz da compreensão e da simpatia.
Erre auxiliando.
Ainda mesmo nos espinheiros da mágoa ou da ilusão, auxilie sem reclamar o auxílio de outrem, servindo sem amargura e sem paga, porque os erros, filhos do sincero desejo de auxiliar, são também caminhos abençoados que, embora obscuros e pedregosos, nos conduzem o espírito às alegrias do Eterno Bem.
 LIVRO: APOSTILAS DA VIDA - PSICOGRAFIA CHICO XAVIER

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Huberto Rohden

Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei... 
O homem inteligente? 
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso? 
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso? 
Não basta qualquer forma de religião...
Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito... 
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes. 
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio... 
É poderoso - mas não ostenta poder... 
Socorre a todos - sem precipitação... 
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido... 
Domina - mas dem insolência... 
É humilde - mas sem servilismo... 
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer... 
Faz bem a todos - antes que se perceba... 
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu clamor nas ruas..." 
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém... 
Abre largos espaços - sem arrombar portas... 
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...
Assim é, e assim age o homem verdadeiramente bom - porque é instrumento nas mãos de Deus...
Desse Deus de infinita potência - e de supremo amor...
Desse Deus cuja força governa a imensidade do cosmos - e cuja preciência sabe das fraquezas do homem...
O grande homem é, mais do que ninguém, imagem e semelhança de Deus...


FONTE: site www.cuidardoser.com.br